uso excessivo de redes sociais

Os desafios do uso excessivo de redes sociais na adolescência

Comumente, temos visto mães, pais e familiares de jovens trazerem como questão e motivo de preocupação o uso excessivo de redes sociais, principalmente por conta da grande exposição da imagem de seus filhos e filhas na internet.

É ilusão (e até preconceituoso) acharmos que a valorização da imagem é algo apenas do universo adolescente. Se pensarmos bem, de uma forma ou de outra, as pessoas, em sua grande maioria, se preocupam em como os outros as veem ou sobre qual impressão vão deixar no mundo.

Contudo, é na adolescência que essa preocupação chega com mais violência, pois aparece em um momento de rompimento com a infância e com aquela ilusão de que vai dar tudo certo no final. Nessa fase, as dúvidas são grandes e as responsabilidades muito maiores. Os jovens são exigidos a estarem sempre atentos e a serem velozes nas respostas. E não são respostas quaisquer: são as certas, as que agradem, as “melhores”.

Isso tudo em um mundo que agora é organizado pela tecnologia, no qual as relações, se não são totalmente mediadas, são diretamente influenciadas pelo uso excessivo de redes sociais. Elas podem ajudar os mais tímidos, é claro, mas também podem dar mais armas aos perversos.

A adolescência também é marcada pela busca de identidade, de experimentação de padrões, de formação de grupos, de comparação de comportamentos e de sensações oscilantes de pertencimento e exclusão. No mundo virtual e tecnológico, essa busca ganha uma intensidade maior, porque demanda uma constante atualização às modas, a aquisição de novidades e, ainda, a comprovação de tudo isso com postagens nas redes.

Assim, o tempo do jovem, que já é preenchido quase por completo por milhões de atividades e deveres, tem o seu precioso momento de lazer transformado também numa tarefa: é preciso registrar, colocar o filtro certo, a mensagem ideal, acompanhar o que os outros estão fazendo, avaliar a repercussão e começar tudo de novo.

O tempo é curto para tanta exigência. Haja fôlego! E, até para aqueles com bom condicionamento, a interminável rotina da busca pela aprovação pode perder o sentido.

Por isso não é incomum ver tantos jovens ansiosos, angustiados ou deprimidos, apresentando sintomas como: alteração no sono e no apetite, inquietação, falta de concentração, agressividade, crises de choro, ou até vômitos, tremores e dores no corpo. Em casos mais extremos, automutilação e tentativas de tirar a própria vida.

É importante olhar para isso com a atenção que o fato merece, tanto na esfera individual quanto na coletiva. Individualmente, o cuidado se dá oferecendo escuta, acolhimento e segurança: um lugar que não menospreze nem culpabilize a criança ou adolescente por aquilo que está vivendo e oportunize caminhos mais saudáveis e que façam sentido para ele ou ela.

No âmbito coletivo, compreender não apenas a pessoa que sofre, mas entender como a nossa sociedade produz sofrimento nas relações interpessoais. A partir disso, convocar a juventude para problematizar as formas de nos relacionarmos no mundo e questionar como podemos construir um futuro em que valha a pena para todos.

Isso é necessário porque a impraticabilidade de imaginar um amanhã possível tem impactos profundos nas pessoas: desmobiliza, desanima, tira a vontade de viver. E negar esse contexto não contribui para sua retomada.

Para atravessarmos essa época e fortalecermos as crianças e adolescentes dessa geração é fundamental recuperar a capacidade de sonhar – mesmo que seja a partir de uma realidade brutal.

Nas aulas de LIV com adolescentes, legitimamos as angústias, acolhendo-as e trazendo uma coleção de informações atualizadas e de fontes seguras sobre as principais questões, através da mediação de um profissional. Com isso, acreditamos ajudar na construção de novos caminhos possíveis e, assim, oferecer suporte para aqueles que sofrem com as sensações de vazio e aflição.

Texto de Renata Ishida – Psicóloga e Consultora Pedagógica do LIV – Laboratório Inteligência de Vida.

Escola LIV

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 × um =