Enem

Enem, ansiedade e o desafio da inteligência emocional

Com a chegada do Enem e alguns vestibulares se aproximando, os estudantes passam a “respirar” as provas e chegam a apresentar sintomas de ansiedade e angústia. São inúmeros os fatores e as pressões que influenciam esse momento.

A primeira é a decisão de qual carreira seguir, ainda mais nos dias atuais, em que o futuro de diversas profissões está ameaçado e a pluralidade de opções e caminhos aumentou de maneira exponencial.
Fazer essa escolha não é tarefa fácil e pode ser agravada pela muito frequente pressão da família, que pode ser explícita ou velada. Além dela, existe a pressão social: muitas vezes o jovem nem gosta tanto da ideia de ser um médico, por exemplo, mas como “dá dinheiro” ele acaba por tentar, sem ter nenhuma ligação afetiva ou de interesse.
Porém a escolha é apenas um passo, é preciso conquistar uma vaga e, para tanto, enfrentar um processo de competitividade. Em uma época da vida em que a grande maioria dos jovens são convocados a se afirmar perante os grupos sociais, a prova do Enem ou vestibular chega como mais um teste e, muitas vezes, o resultado pode ser recebido como a comprovação de sua total capacidade ou falta dela. Diante das listas que ranqueiam as colocações nas provas, é quase inevitável fazer comparações – outro fator mexe com a segurança e a autoestima de todos.
É fato que ansiedade e angústia não podem ser evitadas. Elas fazem parte do ser humano, assim como outros inúmeros sentimentos. Esse é um momento de definições e encaminhamentos pelo qual os jovens atravessam. Por isso, é altamente recomendado que o estudante possa frequentar ambientes que favoreçam a escuta dessas tensões. O melhor caminho é desenvolver uma comunidade escolar que crie e estimule as trocas entre os jovens, onde todos possam falar o que sentem sem medo de serem criticados ou questionados. Isso facilita que os sentimentos possam ser melhor elaborados.
O mais importante é ressaltar que Enem ou vestibular sozinhos não são responsáveis pelo adoecimento dos jovens. Precisamos pensar que todo o sistema educacional, o contexto histórico econômico e social, as mudanças físicas e hormonais, e a família formam um “combo” que podem aumentar ou diminuir a probabilidade de o jovem adoecer. De qualquer modo, a competitividade e as incertezas cada vez maiores nessas provas podem adubar o que já é ruim, tornando esse período da vida ainda mais estressante. Sintomas de ansiedade são os mais frequentes: alteração no sono, no apetite, inquietação, falta de concentração, agressividade, crises de choro ou até vômitos, tremores e dores no corpo.
Vale lembrar que sintoma não é doença, mas sim um sinal de que algo não vai bem. Precisa ser olhado e cuidado para que não se torne crônico. Criticar o jovem por essa mudança de comportamento não o ajuda, por exemplo. É importante abrir o espaço para o diálogo, dentro e fora da escola. Entender que uma palavra mais grosseira pode significar um sofrimento por ansiedade e não uma falta de respeito, por exemplo.
Para que situações como essa sejam evitadas, não existe uma equação exata. Mas já se sabe que é possível atingir bons resultados ao investir tanto no trabalho de autoconhecimento pessoal quanto no desenvolvimento dos laços interpessoais, em um conjunto que reúne a escola e a família como base para que o jovem possa superar o desafio dessa etapa passageira.

*Artigo de  Raul Spitz e Renata Ishida, psicólogos e consultores pedagógicos do LIV – Laboratório Inteligência de Vida, publicado originalmente em: 06/11/2018 no jornal Diário de Pernambuco.

 

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