Como Singapura vem incluindo a educação socioemocional em suas escolas

No final de janeiro, contamos aqui no Blog do LIV que nosso gerente executivo, Caio Lo Bianco, participou de uma visita à Singapura como parte de um grupo multidisciplinar formado pela Fundação Lemann, que contou com mais de 20 representantes de diferentes setores da educação: professores e diretores das redes pública e privada, representantes de ONGs, empresas e start-ups e secretários de educação. O objetivo do grupo era saber como o país referência em educação mundial pode contribuir com o Brasil para a implementação da BNNC (Base Nacional Comum Curricular) e para a inclusão das habilidades socioemocionais nas escolas.

No post de hoje, trazemos um pouco de nossa conversa com Lo Bianco sobre essa visita. Porém, para compreender melhor a importância dessa visita é necessário primeiro um breve histórico do país. Há cerca de 30 anos, Singapura tinha pouco destaque internacional e seu sistema de ensino estava longe de ser uma referência para o mundo. Assim como no Brasil, haviam problemas relacionados ao baixo desempenho dos alunos, à evasão escolar e ao pouco destaque para a formação profissional de seus professores.

Essa história começou a mudar quando o país asiático passou por uma revolução econômica que colocou a educação como eixo central do seu processo de crescimento. Assim, a formação e a seleção de docentes foram completamente reestruturadas. Atualmente, os professores são selecionados dentre os 30% melhores alunos de todo o país e são formados por um único centro nacional que prepara todos que vão atuar na educação básica.

Somado a fatores culturais e a um currículo escolar único para todas as escolas, esse processo foi o pilar de uma guinada de Singapura rumo ao topo das avaliações internacionais de educação, como o PISA, exame da OCDE que mede o desempenho dos alunos em leitura, matemática e ciências, e que tem atualmente nos primeiros lugares Singapura, Canadá, China (Hong Kong e Xangai), Finlândia e Coréia do Sul.

Segundo Lo Bianco, embora esse histórico recente tenha colocado Singapura como um exemplo de alto desempenho educacional, o país não se conformou apenas com esses resultados e passou a olhar cada vez mais de perto para o desenvolvimento das habilidades socioemocionais de seus estudantes. “Embora seja um sistema de ensino muito rigoroso e que exige desempenho cognitivo de seus alunos, com muita ênfase na excelência acadêmica, é um país atento às inovações mundiais e que recentemente sentiu uma grande necessidade de oferecer mais foco na formação emocional dos estudantes”, conta.

Para atingir todas as escolas de maneira equânime, essa temática passou a ser um dos pilares centrais da formação docente, garantindo que todos os educadores do país tenham um olhar atento para que o desenvolvimento de competências como criatividade, colaboração, pensamento crítico e proatividade passassem a fazer parte do dia a dia dos estudantes. “O grande aprendizado dessa visita à Singapura é entender que, mesmo com questões culturais muito particulares, existe um foco central do país na valorização de seus professores, que já vêm incorporando a educação socioemocional em suas atividades, com um olhar atento para identificar as necessidades dos alunos no dia a dia”, completa Lo Bianco.

Nos próximos meses, o grupo que visitou Singapura voltará a se reunir para refletir sobre os conhecimentos absorvidos durante a visita e nós vamos manter vocês informados de tudo aqui no Blog do LIV. Não percam os próximos posts!

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