Pesquisa aponta que crianças com acesso à educação integral tem mais senso de igualdade

Um novo estudo divulgado pelo The Abecedarian Project concluiu que o acesso a uma educação integral na primeira infância impacta o senso crítico e a visão de mundo ao longo da vida. O projeto foi iniciado em 1972 na Carolina do Norte, Estados Unidos, sob o comando do Frank Porter Graham do Child Development Institute, um dos mais reconhecidos centros de pesquisa na área. O estudo tinha como principal objetivo entender quais eram os benefícios, a curto e a longo prazo, do acesso à educação na primeira infância de crianças pobres.

Foram selecionadas, de forma aleatória, 111 crianças para participar da pesquisa, sendo 57 para o grupo de intervenção, ou seja, aqueles que teriam acesso a uma educação integral, e 54 constituíram o grupo de controle, com acesso a recursos básicos como acompanhamento médico, nutricional e suporte social e familiar. O plano educacional dado ao grupo de intervenção trabalhou a educação de forma integral, ou seja, considerou o desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças, focando nas habilidades cognitivas como a linguagem e também nos aspectos não cognitivos, com foco na inteligência emocional, por meio de jogos e brincadeiras incorporados ao cotidiano. 

Das 111 crianças da primeira fase, 78 fizeram parte da etapa mais recente do projeto, sendo 36 do grupo de controle e 42 do grupo de intervenção. Agora adultos, eles foram convidados a participar de jogos capazes de analisar o processo de decisão e a aderência a normas sociais. Em um dos desafios, por exemplo, um dos jogadores precisa decidir se aceita dividir, de maneira desigual, 20 dólares com outro participante. Assim, eles precisam decidir entre satisfazer seus interesses pessoais (ter mais dinheiro) ou seguir uma norma social de igualdade. O grupo de intervenção do The Abecedarian Project se negou a aceitar uma divisão desigual, mesmo quando eles estavam na posição de ganhar mais. Segundo Sébastien Hétu, autor do estudo, o grupo de intervenção tende a punir transgressões que fujam à igualdade. 

O experimento concluiu, portanto, que o acesso à educação na primeira infância, tanto cognitiva quanto socioemocional, é capaz de formar indivíduos mais justos e com senso de igualdade mais desenvolvido. Para Caio Lo Bianco, gerente executivo do LIV, esse tipo de estudo demonstra, primeiramente, que a educação infantil é um momento no qual é possível fazer grandes impactos no desenvolvimento de um ser humano, pois até os seis anos de idade o cérebro tem mais capacidade de fazer conexões neurais.

A pesquisa mostra também que essa fase é o momento ideal para trabalhar as conexões cerebrais relacionadas ao desenvolvimento social e emocional, pois nesse período da primeira infância há mais impulsividade e momentos de briga, ciúmes ou egoísmo, emoções que abrem espaço para o debate sobre empatia e a maneira de se relacionar com o próximo. “A interferência nesses momentos de conflito é propícia para trabalhar os aspectos da empatia. Na Educação Infantil as crianças se relacionam todo o tempo: nos momentos de recreio, lanche, entrada e saída da escola, na hora de fazer fila, de ir pro pátio, etc. Todos esses momentos são oportunidade para desenvolver a empatia, o que terá reflexo direto na vida adulta e na maneira como essas pessoas vão considerar as pessoas a sua volta”, explica Lo Bianco.

Educação integral na prática

Ainda segundo Lo Bianco, quando uma escola tem o objetivo de incluir a educação socioemocional em sua grade de aulas, seja na primeira infância ou em outros segmentos, é necessário que ela tenha o intuito de inserir essa temática como um pilar da comunidade escolar, de maneira a desenvolver essas habilidades em seus alunos partindo de princípios éticos e de igualdade. “Howard Gardner, grande especialista de Harvard e uma das referências teóricas do LIV, disse, por exemplo, que as pessoas podem ter habilidades socioemocionais com comunicação, perseverança, pensamento crítico e proatividade, e mesmo assim usar essas habilidades para fazer mal a outras pessoas. Por isso é muito importante saber que tipo de educação”, explica.

Pensando nesses desafios, o material do LIV voltado para o ensino infantil se desenvolveu para que, de maneira lúdica, as crianças tenham oportunidade de praticar a empatia e a relação com o próximo em atividades com personagens, músicas e histórias. Criado em parceria com autores renomados na área, a proposta do LIV é mostrar que não existe sentimentos bons e ruins, e que o mais importante é que as crianças e também os jovens tenham capacidade de refletir sobre o que fazer com eles. “Para nós, é importante que as crianças aprendam a lidar com as diferenças, pois isso vai impactar sua visão de mundo no futuro. Então, trazemos narrativas em que os personagens são diferentes do convencional, como uma ovelha que não gosta de ser fofa ou um lobo que não tem nada de mal e gosta de comer sopa de legumes”, comenta Lo Bianco.

Se você quer entender um pouco mais sobre essa proposta, confira mais sobre o material LIV para a Educação Infantil e se aprofunde mais sobre o tema baixando nossos materiais de referência exclusivos.

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