“Para educação socioemocional não existe receita de bolo”, defende especialista.

Na última semana, Caio Lo Bianco, gerente-executivo do LIV – Laboratório Inteligência de Vida, palestrou no evento “As competências para o século XXI”, realizado pelo CEIPE – Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV e que contou com a presença de pesquisadores e representantes de diversos setores da educação para debater o tema.

O objetivo do evento foi promover o debate entre especialistas da área e o público de mais de 200 participantes sobre como a educação socioemocional vem sendo trabalhada na rede pública de ensino e na rede privada. Também buscou observar os estudos e pesquisas nacionais e internacionais que estão sendo realizados para analisar o impacto desse trabalho no desenvolvimento dos alunos.

Lo Bianco foi convidado para dividir o palco com Herbert Lima, atual Secretário de Educação de Sobral, e os dois puderam mostrar como o trabalho com as habilidades socioemocionais vem sendo incorporado tanto nas escolas públicas quanto nas escolas da rede privada. “Para a educação socioemocional não tem uma receita de bolo. É um tema novo em todos os setores da educação e todos estamos aprendendo sobre como isso impacta e influencia positivamente na aprendizagem, mas ainda temos muito o que descobrir”, destacou Lo Bianco durante o debate.

Para ele, o ideal é que esse tipo de programa possa ser desenvolvido a partir de um referencial teórico diverso, para poder tirar das pesquisas o que é viável para a aplicação em sala de aula. “Nem tudo o que funciona na teoria funciona na prática e, tratando-se de socioemocional, é importante considerar que o professor tem uma participação essencial nesse tipo de ensino”, destacou.

De onde vem as habilidades socioemocionais?

Outra palestra que se destacou no evento foi a de Ricardo Primi, professor da USF, universidade no interior de São Paulo, e pesquisador do eduLab21, grupo de pesquisa sobre educação e habilidades socioemocionais ligado ao Instituto Ayrton Senna. O estudioso trouxe ao público detalhes sobre o que são as habilidades socioemocionais e como elas vêm sendo trabalhadas em diferentes países. “Existem muitas definições do que são habilidades socioemocionais, com diferentes nomenclaturas, mas o fato é que as pessoas sabem empiricamente o que elas significam: colaboração, engajamento, abertura ao novo, dentre outras”, explicou.

Primi também mostrou ao público como o tema, que sempre apareceu de maneira isolada em alguns projetos escolares, só mais recentemente passou a ser sistematizado e a receber um olhar da academia e das escolas, influenciados que começou a buscar respostas para explicar como alguns alunos, mesmo tendo um QI muito elevado, podiam não ter sucesso em diferentes campos de sua vida, seja na escola ou até no âmbito profissional e pessoal. Com a junção de pesquisas em diferentes áreas, como educação, psicologia e economia, dentre outras, o tema começou a se espalhar e hoje já aparece, ainda que lentamente, em escolas e universidades.

Para Claudia Costin, diretora do CEIPE, o avanço das discussões nesse setor representa um avanço. “Só trabalhar as competências cognitivas da maneira tradicional como fazemos na maior parte das escolas não é suficiente para preparar as crianças e os jovens para o trabalho nem para serem melhores cidadãos”, defendeu.

O evento contou ainda com palestras de Daniel Santos, professor da USP Ribeirão Preto, Tassia Cruz, professora da FGV, e Susana Claro, professora da Escola de Governo da PUC do Chile e especialista em mindset, ou teoria da mentalidade de crescimento (se quiser saber mais sobre esse tema, acesse um ebook gratuito clicando aqui).

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