Por que meninas não escolhem a Ciência?

Novo relatório publicado pela OCDE mostra que, apesar de terem um melhor resultado geral na escola do ponto de vista acadêmico, meninas de diferentes partes do mundo não optam por carreiras ligadas à ciência, à tecnologia e à matemática. A partir de dados divulgados pelo PISA (exame de desempenho acadêmico reconhecido mundialmente), os pesquisadores Gijsbert Stoet e David Geary analisaram como meninos e meninas se dividem no mercado científico ao redor do mundo.

Alunos meninos obtiveram os melhores resultados em ciência em 22 países avaliados pelo PISA, e as meninas em 19 países. No entanto, os meninos apresentam uma força concentrada nessa área do conhecimento, já que performam acima de suas próprias médias quando se trata de ciências exatas e tecnologia. Um dos fatores que contribuem para esse resultado, aponta o estudo, é o nível de confiança desses alunos. Em 39 países eles são mais confiantes do que elas quando se trata de aprender ciências e matemática. 

Considerando as habilidades e os interesses das meninas, a estimativa seria de que uma em cada três fizessem um curso de graduação voltado para a ciência e tecnologia. No entanto, ao analisarem os números de mulheres matriculadas em faculdades da área, a taxa é ainda mais baixa, apenas 28%. Para os pesquisadores, a respostas para esses números pode estar nos resultados femininos em outras áreas do conhecimento. Já que, em geral, meninas que têm boa performance em ciências têm resultados ainda melhores em outras áreas, como linguagens, e talvez por isso optem por seguir carreiras em outros campos. Enquanto isso, meninos têm mais dificuldade em superar suas notas em ciências em outras disciplinas.

Stoet e Geary afirmam que é necessário não só buscar desenvolver o interesse das meninas pela ciência, mas também desenvolver as habilidades dos meninos em outras áreas do conhecimento se quisermos balancear os mercados de uma maneira geral.

Para Joana London, gerente pedagógica do LIV, além da questão histórica relacionada ao tardio direito das mulheres de estudar, há também uma questão de representatividade. Para que a escolha por esse caminho seja feita, as meninas precisam ter como referências mulheres que produzem conteúdo e são ativas nessas áreas. Segundo Joana, o programa socioemocional pode contribuir para a mudança desse cenário, mostrando novas possibilidades desde cedo. “Acreditamos que esse trabalho precisa começar desde muito pequeno O uso de personagens mulheres e o reconhecimento de personalidades femininas está presente no nosso programa de maneira transversal, em todas as idades”.

O LIV busca também levantar o debate sobre desigualdade de gênero em diversos momentos, pois acredita que mudanças só podem ser feitas através do diálogo. “Parece simples, mas ainda é necessário quebrar padrões óbvios como ‘homem não chora’ e ‘mulher é frágil’, compreendendo o quão prejudicial isso é para os dois lados. É dando ferramentas e alimentando essas conversas que os alunos poderão entender que podem seguir a escolha profissional que quiserem, independente serem homens ou mulheres”, afirma Joana.

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