Criatividade é uma das habilidades mais requisitadas no mercado de trabalho

Uma das novidades do mercado de trabalho na última década foi a inclusão de habilidades socioemocionais na lista de pré-requisitos para os candidatos a vagas de emprego. Há 20 ou 30 anos, era comum dar preferência para um profissional considerando apenas a certificação acadêmica, sem levar em conta sua capacidade de se comunicar bem, trabalhar em grupo e persistir diante de dificuldades. Essa realidade, porém, parece estar mudando.

Pesquisa divulgada pela rede social LinkedIn mostra que ter habilidades socioemocionais é, atualmente, um grande diferencial para quem está competindo no mercado. Segundo os dados do levantamento, que analisou as vagas lançadas em 2018, 57% dos líderes seniores dizem que as chamadas soft skills (também conhecidas como habilidades socioemocionais) são mais importantes que as hard skills (competências técnicas).

Mesmo em um momento que crescem as buscas por competências técnicas ligadas à computação em nuvem, inteligência artificial e raciocínio analítico, demandas como criatividade, persuação e colaboração aparecem no topo das listas de pré-requisitos. Capacidade de adaptação e de liderar times também foram apontados como requisitos importantes em grande parte das vagas postadas no LinkedIn, que funciona como uma rede social voltada para o universo profissional. Curiosamente, a exigência por esse tipo de competência não se restringe a algumas profissões específicas, sendo necessária em todos os setores da economia.

Trabalhos do futuro

É importante ter em mente que dados como esse revelam apenas parte dos fatos relacionados às habilidades requeridas pelo mercado de trabalho. Outros estudos vêm apontando forte tendência de mudança na produção global, com uma inserção de tecnologias digitais cada vez mais alta, o que implica no aumento da procura por formação técnica nessa área.

A pesquisa The Future of Jobs Report, feita pelo Fórum Econômico Mundial, por exemplo, mostra que por volta de 2020 mais de um terço dos conjuntos de habilidades essenciais desejadas para a maioria das ocupações será composto por habilidades que ainda não são consideradas cruciais para o trabalho atual. Isso, somado ao fato de que muitas das profissões do futuro sequer foram criadas, faz com que a educação socioemocional, e não apenas a cognitiva, seja necessária.

Nesse sentido, o documento aponta que, em geral, as habilidades socioemocionais como persuasão, inteligência emocional e capacidade de ensinar outras pessoas, dentre outras, estarão em maior demanda nas indústrias nos próximos anos do que habilidades técnicas restritas, como programação ou operação e controle de equipamentos. Em essência, as habilidades técnicas precisarão ser complementadas com fortes habilidades sociais e de colaboração.

Tema cada vez mais presente

Não à toa, esse tema vem sendo muito comentado entre especialistas e comentaristas da área, mostrando que as habilidades consideradas exclusivamente humanas, como originalidade, iniciativa e pensamento crítico, parecem estar se tornando mais valorizadas no mercado de trabalho à medida que a tecnologia e a automação avançam, e que tarefas antes executadas por pessoas de carne e osso agora são feitas por robôs.

Paul Petrone, editor do LinkedIn, ressaltou em sua página que resultados como esses precisam ser ponderados considerando que estamos em um momento no qual a inteligência artificial começa a se destacar em mais setores. “Embora os robôs sejam ótimos para otimizar ideias antigas, as organizações precisam de mais funcionários criativos que possam conceber as soluções para o amanhã”, escreveu.

Aqui no Brasil, o assunto está cada vez mais presente em debates com escolas e especialistas. Em 2018, por exemplo, o Congresso Socioemocional LIV trouxe ao país um dos maiores nomes na área, o pesquisador da universidade Harvard, Howard Gardner, que falou sobre como as habilidades ensinadas aos jovens nas escolas se refletem na vida adulta, quando eles chegam ao mercado de trabalho. Em sua palestra, Gardner disse que a realização de um bom trabalho exige todos os tipos de inteligência.

Este ano, o tema continuará em alta e fará parte da programação da terceira edição do evento, o Congresso Socioemocional LIV 2019, que contará com palestras, debates e vivências sobre educação, inteligência emocional e habilidades para o século XXI com especialistas, educadores e convidados internacionais, nos dias 7 e 8 de junho. O objetivo do evento, que tem realização do Laboratório Inteligência de Vida, do grupo Eleva, é fortalecer e aprofundar o contato dos educadores brasileiros com as evidências internacionais sobre esses tópicos.

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