Saúde mental na escola: a importância de se aprofundar sobre o tema

PA saúde mental de crianças, adolescentes e adultos é um tema que tem gerado cada vez mais preocupação nas escolas. Notícias relacionadas a ataques nesses locais somadas às violências que afetam alunos e professores cotidianamente, como o bullying e a discriminação, fazem deste um momento não apenas propício, mas também extremamente necessário para discutir o assunto com abertura e acolhimento.

Contudo, é importante atentar que temas como esses não podem ser debatidos de maneira rasa ou com “achismos”. É necessário que educadores e psicólogos busquem se aprofundar mais antes de falar sobre eles, especialmente no ambiente escolar. Isso é especialmente necessário porque, por muito tempo, o campo das emoções ficou longe da educação e poucas escolas ofereciam espaço para que seu corpo docente pudesse, de fato, compreender melhor o assunto.

Criou-se, dessa maneira, uma cultura que ainda permeia muitos colégios de valorizar o bom desempenho acadêmico e deixar de lado o fracasso e os sentimentos desagradáveis acarretados por ele, como tristeza, medo ou frustração. Nesse contexto, temas como depressão, automutilação, ansiedade e suicídio, dentre outros, ficaram debaixo do tapete e não raro foram ignorados ou abordados com preconceito e sem embasamento teórico.

Segundo Joana London, psicóloga e gerente pedagógica do LIV – Laboratório Inteligência de Vida, para que haja abertura para falar sobre isso é preciso que as escolas invistam em espaços de escuta e na formação de seus profissionais. “As relações na escola têm que ser menos de distanciamento, regras, tarefas, obediência ou expulsões, e mais de elos, trocas, afetos e diversidade. Para isso não é preciso pensar em uma relação onde não há autoridade e respeito às regras, e muito menos pensar o espaço escolar sem a presença do conflito, mas sim em como essas regras e imposições são aplicadas e como a falta de voz do estudante está impactando na vida dentro e fora do espaço escolar”, destaca.

Apenas dessa maneira, aponta a especialista, é possível ir além do debate raso que procura respostas únicas para problemas que, na realidade, são acarretados por múltiplos fatores – fatores estes que precisam ser vistos sem preconceitos ou barreiras.

Encontros e debates sobre saúde mental na escola

Buscando abrir novos olhares para essa temática, a equipe do LIV vem participando de diversos encontros com especialistas de diferentes áreas para debater a saúde mental na escola, com o objetivo de levar materiais e formações adequadas para as escolas parceiras do programa.

Neste mês de abril, por exemplo, a equipe pedagógica responsável pelo programa LIV de educação socioemocional participou de uma formação com a especialista Maria Rita Kehl para falar sobre o assunto. O encontro marcou a conclusão da Imersão LIV, que também contou com outras palestras sobre o tema e que tiveram a participação dos psicanalistas Christian Dunker e Fernanda Costa-Moure e das psicólogas Ana Guedes e Ana Carolina D’Agostini, dentre outros.

O assunto, contudo, não se esgotou nessa ação. Nos dias 7 e 8 de junho, o tema também estará presente no Congresso Socioemocional LIV 2019. A programação do evento trará palestras e mesas de debate que trarão diferentes pontos de vista sobre educação, habilidades socioemocionais e saúde mental na escola, permitindo aos presentes se aprofundar um pouco mais nessas temáticas. Uma delas, por exemplo, trará um encontro inédito no palco entre dois grandes nomes da educação nacional: Christian Dunker e a especialista Rosely Sayão.

O evento contará ainda com outras atividades, incluindo uma palestra-magna do antropólogo e sociólogo Edgar Morin, que vai falar sobre a relação entre o pensamento, a razão e a emoção no pensamento complexo. Morin tem atualmente 97 anos de idade e nas últimas décadas se firmou como um dos nomes mais influentes da educação.

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