Crianças e adolescentes aprendem mais quando se sentem seguros e acolhidos

Segundo relatório da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgado no último mês, mais de 150 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos de diferentes países já tiveram alguma experiência de violência dentro ou ao redor da escola envolvendo seus pares. De acordo com o estudo, só no Brasil, 14,8% dos estudantes nessa faixa etária já ter faltado à aula por não se sentirem seguros no trajeto ou até mesmo dentro do colégio, e outros 7,4% foram vítimas de bullying. Na outra ponta, 19,8% dizem já ter praticado essa violência.

Embora números como esses sejam alarmantes, muitas vezes a promoção de ações focadas na redução da violência e na melhoria do clima escolar são vistas como supérfluas diante de outras demandas urgentes da educação. Contudo, de acordo com o conhecimento científico mais recente sobre aprendizado e desenvolvimento humano, um clima escolar positivo não é um elemento acessório a ser acrescentado depois que as dimensões acadêmicas ou disciplinares forem atendidas. Na verdade, trata-se do principal caminho para um aprendizado efetivo.

Dados compilados e divulgados ano passado pelas pesquisadoras Linda Darling-Hammond e Channa M. Cook-Harveyc, do Learning Policy Institute (EUA), por exemplo, revelam que as crianças aprendem melhor quando se sentem seguras e apoiadas. Do mesmo modo, seu aprendizado é prejudicado quando vivenciam situações de medo ou trauma nesses espaços, principalmente em situações de estresse nas quais deveriam receber apoio. Por isso, as especialistas afirmam, “é importante que as escolas ofereçam um ambiente positivo de aprendizagem que permita aos estudantes desenvolverem tanto habilidades socioemocionais quanto aprenderem o conteúdo acadêmico”.

Mas como é uma escola acolhedora?

De acordo com os estudos citados por Darling-Hammond e Cook-Harveyc, as escolas com melhor clima escolar são aquelas que:

– oferecem a seus alunos uma comunidade de aprendizagem culturalmente receptiva e atenciosa, na qual todos são valorizados e estão livres de ameaças de identidade social que prejudicam o desempenho;

– têm estruturas que permitem a continuidade nos relacionamentos e a consistência nas práticas;

– e promovem confiança e respeito entre funcionários, estudantes e famílias, possibilitados pelo apoio e envolvimento proativo dos pais.

Além disso, afirmam as especialistas, essas escolas contribuem para o desenvolvimento socioemocional e a autonomia do estudante, e sabem oferecer suporte individualizado diante de suas necessidades. Para atender esses aspectos, elas precisam, dentre outras medidas, cultivar a diversidade como recurso para o ensino através do uso regular de materiais, ideias e atividades didáticas que promovam relacionamentos em sala de aula baseados na confiança, encorajando interações entre o professor e cada aluno, e o desenvolvimento de relacionamentos positivos entre os alunos.

Relatos recentes trazidos por educadores que trabalham com programa LIV – Laboratório Inteligências de Vida mostram que, na prática, isso pode ser alcançado com o auxílio de um currículo focado no desenvolvimento socioemocional, com material voltado para alunos, escolas e famílias de forma a criar momentos na rotina nos quais as crianças e os adolescentes possam exercitar habilidades como comunicação, colaboração e protagonismo, e falar sobre seus sentimentos e emoções. Os resultados, relatam essas experiências, perpassam às salas de aula e contribuem para o clima escolar em todos os aspectos.

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