Pensadores que inspiram: Daniel Goleman e a inteligência emocional

O psicólogo e jornalista Daniel Goleman, nascido em 1946, é considerado o principal pesquisador contemporâneo dedicado a pesquisar o conceito de inteligência emocional, definida por ele como “a capacidade de identificar nossos próprios sentimentos e dos outros, de nos motivarmos e gerirmos os impulsos dentro de nós e em nossos relacionamentos”. Ele ficou famoso mundialmente ao defender que lidar com as emoções é fundamental para o desenvolvimento de um indivíduo, pois não há uma loteria genética que predestina vitoriosos e fracassados no jogo da vida.

Sua tese é de que a inteligência emocional promove diminuição dos níveis de ansiedade e estresse; maior empatia pelo próximo; mais equilíbrio emocional; maior clareza nos objetivos de vida e capacidade de tomada de decisão; melhor gestão do tempo; aumento de produtividade e de comprometimento com metas; e maior autoestima e autoconfiança. Além disso, defende que essa inteligência pode ser aprendida e desenvolvida, dependendo de um exercício cotidiano.

Inspirando-se na teoria de Daniel Goleman, o LIV – Laboratório Inteligência de Vida desenvolveu um programa curricular que aborda a importância dos sentimentos na educação e que ressalta a importância de não os hierarquizar por nível de importância para ajudar no processo de autoconhecimento dos alunos.

Com bases nesses conceitos, o programa parte do princípio de que não fazer julgamento de valor para cada emoção facilita seu entendimento, acolhimento e manejo, além de aumentar a probabilidade de a criança ou o adolescente falar sobre o que está sentindo ou pensando com mais abertura. Isso porque todos os sentimentos são entendidos como importantes para a manutenção da vida, com a consciência de que não são totalmente controláveis. A oportunidade de acolhê-los em sua totalidade aumenta a capacidade humana de escolher o que fazer ao sentir cada um.

Os pilares da inteligência emocional

Goleman afirma que a parte cerebral que sustenta a inteligência emocional é uma das últimas a amadurecer anatomicamente. Para ele, como a neuroplasticidade molda o cérebro de acordo com a repetição das experiências, faz sentido investir em práticas regulares e sistemáticas que estimulem o autoconhecimento, a empatia e o relacionamento entre crianças e adolescentes.

Assim, a escola e a sociedade devem ajudar as crianças e os jovens a focarem nessas competências, para que estejam aptos a viver bem no contexto moderno e a tomar decisões que ajudem a preservar este mundo. Esse percurso, defende o especialista, deve ser sustentado a partir de cinco pilares principais:

Autoconhecimento: conhecimento sobre o que se sente, sobre os próprios impulsos e fraquezas. É a base para uma boa intuição e tomada de decisão, bem como uma “bússola moral”. As emoções que ficam fora do limiar da consciência podem impactar poderosamente os comportamentos;

Autorregulação: capacidade de escolher respostas e não reagir apenas por impulso, ou seja, cuidar das emoções de forma que não sejam prejudiciais para a pessoa ou para a situação. Essa autogestão é o que ajuda a sintonizar as vivências emocionais com o processo de aprendizagem, facilitando a recuperação das perturbações da vida, sem reprimir os sentimentos indesejados e incômodos, e saber adiar as satisfações quando necessário;

Automotivação: capacidade de dirigir as emoções a serviço de um objetivo ou realização pessoal. Nas palavras de Goleman: “As pessoas com altos níveis de esperança têm certos traços comuns, entre eles o poder de motivar-se, e sentir-se com recursos suficientes para encontrar meios de atingir os seus objetivos, ter flexibilidade bastante para encontrar meios diferentes de chegar às metas, e ter o senso de decompor uma tarefa formidável em outras menores, mais manejáveis”;

Empatia: capacidade de compreender e considerar os sentimentos de outros. Isso permite maior sintonia com o mundo;

Habilidades sociais/de relacionamento: capacidade de relacionar-se melhor, comunicando-se de maneira clara e atenta às demandas e postura do outro. É colocar todos os elementos acima coordenados para facilitar os encontros sociais.

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