A Importância da Escola no Desenvolvimento Cognitivo

Esse texto foi escrito por Dr. Bruno Amaral, pediatra convidado pelo LIV.

É na primeira infância que se estruturam as bases de aprendizado, as quais servirão de pedra fundamental à formação de vários aspectos do indivíduo ao longo de toda a vida. Em relação aos aspectos cognitivos, ou seja, da presença de estruturas mentais capazes de organizar os estímulos do conhecimento, não é diferente. E qual é a importância da escola nessa formação? Recebi o desafio de escrever sobre esse tema e aceitei prontamente pela importância do mesmo.

Inicialmente, precisamos definir o que é aprendizado e o que influencia no mesmo. Aprendizado é toda mudança de comportamento em resposta a experiências anteriores, que envolve o sujeito como um todo, considerando todos os seus aspectos, sendo eles psicológicos, biológicos e sociais. Ele depende de fatores externos (que dizem respeito à forma e a velocidade com as quais essas possibilidades de experiência, ou estímulos, são apresentadas) e de fatores internos (ligados à cognição e ao comportamento, principalmente).


A escola, com a inserção maior da mulher no mercado de trabalho nos últimos trinta anos, tornou-se local também de inserção da criança cada vez mais precocemente, muitas vezes antes dos seis meses de vida completos. É um local de estímulo à socialização e o período que vai de zero a três anos de vida é uma das fases mais importantes para o desenvolvimento social. Esse espaço escolar possibilita à criança múltiplas oportunidades de participar de atividades e de fazer escolhas que irão contribuir para seu crescimento. Através destes processos, a criança começa a interagir com o grupo entender seu papel no contexto social, bem como enxergar aprender junto com seus semelhantes. Já começa a ser introduzido, ainda que de forma rudimentar, o sentimento de empatia através desse convívio. Obviamente, inicia-se a questão da resolução de conflitos, muito comuns entre crianças, especialmente nessa faixa etária. Família e instituição de ensino têm papel fundamental para que as crianças comecem a entender a importância da compreensão e do diálogo.

É fundamental lembrar da nossa responsabilidade em escolher instituições que contem com profissionais verdadeiramente preparados para trabalhar com carinho e responsabilidade.
Mais ainda, não podemos esquecer de respeitar cada fase de desenvolvimento da criança, pois estimulação precoce erroneamente pode ser desastrosa frustrante, com consequências para o resto da vida. As situações e propostas devem estar de acordo com o desenvolvimento esperado para a idade – forçar alguém a ter habilidades que essa pessoa naturalmente não possui é cruel. Pense como seria se alguém propusesse para você: acerte essa bola naquela cesta 20 vezes seguidas, depois atravesse toda a quadra sem colocar os pés no chão, depois… Ok. Me dê uns 5 anos para eu treinar e posso tentar. Nesse momento da vida, isso seria só frustração para mim.
Nesse ponto, chegamos em outro aspecto importante do aprendizado: o desejo. Certamente todos nós tivemos professores diferenciados em algum momento da vida, aqueles que transformaram aquela disciplina que sempre achamos insuportável em algo sensacional! Isso se dá porque a identificação com essa figura do professor aumenta a nossa vontade de aprender e isso é fundamental. Não é casual a nossa escolha profissional no futuro; tendemos a escolher aquilo que mais gostamos de estudar ou que se torna mais interessante para nós ao longo da vida (o que também tem relação direta com a cognição, com aquilo que nossa “cabeça” tem mais facilidade em organizar e tornar claro). Cada um de nós constrói o saber a partir do da relação que estabelecemos com o conhecimento, com quem oferece essas oportunidades e vivências (família, amigos e também a escola) e com nossa história.

Portanto, as relações estabelecidas no ambiente escolar, e não só as informações transmitidas pelos professores, também são determinantes para a construção do saber. Assim o desenvolvimento de uma boa aprendizagem é a integração de vários aspectos: físico, emocional, afetivo, social e intelectual de cada criança. E a escola pode participar desse desenvolvimento em múltiplos pontos!

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