Como ensinar inteligência emocional mudou minha visão enquanto professora

O trabalho com a inteligência emocional e as habilidades socioemocionais sempre esteve presente na carreira de Kátia Albuquerque, professora do Colégio Madre de Deus, em Recife (PE). Docente há mais de 30 anos, ela afirma que ao longo de sua atuação sempre buscou ter um olhar afetivo para o aluno, mas que ao aprofundar seu trabalho em parceria com um programa de ensino socioemocional estruturado, ampliou ainda mais sua visão para esses aspectos na sala de aula. “Hoje, como professora, eu penso que, antes de tudo, o sujeito, ou seja, o aluno, é mais importante do que qualquer conteúdo que se possa aplicar. Por isso é preciso ter escuta para o que ele tem a dizer. Essa é a parte da empatia na relação professor e aluno. Antes eu não tinha essa visão, pois essa área dos sentimentos não era vista como parte do todo”, contou em entrevista ao nosso blog.

Kátia foi uma das ganhadoras do prêmio LIV em Ação 2019, entregue pelo Laboratório Inteligência de Vida este ano para incentivar professores e escolas parceiras do programa. “O LIV me proporcionou uma visão mais ampla no sentido de saber que cada criança tem uma maneira diferente de ver e expressar os sentimentos, por meio dos quais elas se reconhecem diante do que se propõe, de uma história ou de um posicionamento do professor”.

A educadora recebeu o prêmio por se destacar em inúmeras ações de qualidade na escola e pela dedicação ao estudo da inteligência emocional e das habilidades socioemocionais. Para suas aulas, ela ampliou o material do LIV e criou o “dado das emoções”, a “caixa de sentimentos”, fez atendimentos individualizados às famílias, além de realizar uma dinâmica periódica dedicada ao tema com todos os professores do Colégio. Como parte do reconhecimento do LIV em Ação, Kátia participou na última semana de uma viagem pedagógica ao Peru, com um grupo de mais de 40 educadores de todo o Brasil. A seguir, ela conta mais sobre seu trabalho e sobre como a inteligência emocional mudou sua visão como professora.

O impacto da inteligência emocional nos alunos

Desde que iniciou os trabalhos com o currículo do LIV, as turmas de Kátia, que contemplam alunos 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental, passaram a ter um olhar mais amplo para os sentimentos, tanto em relação aos professores quanto aos colegas de classe. “Antes do programa, eu vivenciava os aspectos relacionados à inteligência emocional, mas não de uma maneira eficaz. Não existia uma sequência de trabalho, eram pinceladas. Eu acredito que o programa que aplico hoje proporciona o crescimento. A cada passo que damos, vamos amarrando o conhecimento e os sentimentos, e o aluno vai se apropriando disso tudo”, explica a professora.

Atualmente, Kátia se orgulha de ver alunos reconhecendo seu próprio potencial e mudando de uma postura mais agressiva para uma postura mais colaborativa e empática. “Há poucos dias um aluno me disse que ‘o LIV não só ensina a ser inteligente emocionalmente’. Fiquei curiosa e perguntei para ele o motivo. Ele disse: ‘O LIV me ensinou a estudar. Hoje, eu consigo escrever e entender que eu preciso é prestar atenção no que é importante para mim’, relatou o aluno.

Aos poucos, conta Kátia, os alunos passaram a conhecer mais seus sentimentos e, até em momentos de briga, passaram a refletir sobre as consequências de seus atos para os colegas. “É um crescimento visível, uma abordagem em que você realmente vê resultado. Como professora, eu vejo que o programa implantado no Colégio Madre de Deus só veio para agregar aos alunos. Hoje eles veem que não são transparentes, eles olham nos olhos dos colegas e param para perguntar quando acontece alguma coisa. Eles observam mais”.

Personagens parceiros da inteligência emocional

No dia a dia das turmas da Kátia, que contemplam as séries iniciais do Ensino Fundamental, os personagens criados pelo LIV são presença constante e demonstram ser excelentes parceiros no processo de aquisição da inteligência emocional por parte dos alunos. “O contato com os personagens deixa os alunos encantados”.

Dessa forma, os personagens Geraldo, Fernanda e a turma da Chave do Teatro, criados pelo LIV em parceria com a escritora Blandina Franco e o artista José Carlos Lollo, acabam povoando o dia a dia dos alunos com histórias que fornecem um novo vocabulário e conceitos que os ajudam a conhecer mais sobre si, suas emoções e sentimentos, bem como, a maneira como esses pontos afetam sua vida e a de outras pessoas.

“Nas aulas, as crianças chegam e cuidam do Geraldo, da Fernanda, de todos. Até os pais se envolveram e hoje perguntam dos personagens. Existe uma relação muito afetiva de todos os lados. Em alguns casos, é como se o Geraldo estivesse sempre com eles, ajudando a nortear o que eles falam. A orelhinha do Geraldo tem um efeito fantástico: eles colocam e já dizem ‘a gente tem que parar para escutar o outro’”, conta Kátia.

Para ela, “grande parte das crianças já tem essa forma empática de olhar para o outro. Mas não é apenas sobre não fazer com o outro o que não desejo para mim, e sim sobre me colocar diante do outro e saber como ele está se sentindo. Quando falamos de empatia, é preciso ter esse olhar para saber o que outro está sentindo, o que uma ação causa nele e o que eu posso fazer, como agente, para interferir”. Ainda, de acordo com a educadora, auxiliar no desenvolvimento dessa individualidade tem sido uma experiência única. “Hoje eu consigo ter um olhar individual para o aluno, não um olhar homogêneo que via todo mundo como igual”, conclui.

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