Entrevista do mês: Lua Barros fala sobre os desafios de educar os filhos

Para o LIV Entrevista deste mês, convidamos a educadora parental e especialista emocional Luanda Barros, conhecida por milhares de mães e pais em todo o país por conta do conteúdo que posta em sua página no Instagram, com relatos sobre a criação dos filhos e reflexões para as famílias.

Com mais de 80 mil seguidores, Lua, como é mais conhecida, fala em seus textos e vídeos sobre parentalidade positiva, dilemas e desafios da criação e sobre a realidade de pais e mães que procuram se transformar (e retransformar) nesses papéis. Na entrevista concedida ao Laboratório Inteligência de Vida durante a 1ª Formação de Tutores LIV+, ela abordou esses pontos e contou sobre sua história de vida e sobre as estratégias que usa em casa para lidar com seus quatro filhos. A seguir você pode conferir a entrevista completa e, após o vídeo, continuar lendo o texto para saber mais sobre educação parental e a biografia da especialista.

Educação parental

Se você não conhece muitas pessoas que atuam como educador parental, não se preocupe. Essa é, como Lua conta, uma profissão recente, que surgiu com as demandas e transformações no século XXI. “A profissão se coloca ao lado de pais, mães, educadores e psicólogos em um processo de tentar equalizar as vontades dos dois lados, tanto das crianças quanto das famílias nesse novo tempo em que a gente vive.”

Mãe de quatro crianças, Lua percorreu um longo ciclo profissional até começar a atuar como educadora parental, iniciando o processo em uma fase na qual sentia dificuldade na criação de seus próprios filhos. “Eu estava em um momento muito ruim da minha maternidade. Eu vinha de um lugar onde ser mãe era bom e prazeroso e havia me tornado uma mãe que só gritava, chegava ao final do dia exausta, passava o tempo inteiro barganhando com as crianças e ameaçando…”, relembra. 

Começou, então, a buscar referências do que fazer para tornar a relação familiar mais leve e encontrou a disciplina positiva, teoria que ela considera a primeira etapa no seu processo de formação. De acordo com Lua, a disciplina positiva é um conjunto de ferramentas criado pela norte-americana Jane Nelsen no final da década de 1970, que traz instrumentos para melhorar a relação de pais e filhos. “Em um primeiro momento, ela fez muito sentido. Era como ter alguém pegando na mão e dizendo ‘não faz assim, faz assado’. Ela atendia ao ‘como’”, explica.

Contudo, embora oferecesse as respostas imediatas que ela precisava como mãe, Lua sentia a inadequação do conteúdo estrangeiro ao contexto brasileiro e questionou a validade de seguir um “manual de instruções” o tempo todo, explica. “Se eu tentasse apenas seguir o manual, eu não estaria sendo verdadeira nem comigo nem com as crianças. Eu não acreditava que eu precisava ser outra pessoa na relação com meus filhos para fazê-la voltar a fluir. A partir desse incômodo fui buscar o entendimento para além do como fazer, olhando o porquê”.

Com essa experiência inicial, a especialista intensificou os estudos e em Portugal pesquisou a parentalidade positiva, que defende a necessidade do desenvolvimento socioemocional e do equilíbrio emocional para promover uma boa relação dos adultos com as crianças. Estudou também a comunicação não-violenta e fez uma formação em inteligência emocional. “É um campo de estudo muito vasto e diz sobre cuidar daquilo que a gente sente”, explica.

Sucesso na internet e parceria LIV+

Como mais de 80 mil seguidores em sua página, Lua confessa que tem medo de se transformar em “youtuber”. “Eu me acho velha para esse negócio”, brinca. Nos primeiros vídeos para o Instagram, ela contava sobre suas experiências com os filhos. Com o tempo, passou a escutar e relatar casos de outras mães e pais que entravam em contato. “Eu comecei a entender que existem dores que são comuns […] e eu vou sendo mexida e movida pelas coisas que eu escuto.”

Foi sua série de vídeos que inspirou o convite para ela fazer parte do material do LIV em Família, desenvolvido para escolas parceiras na modalidade LIV+. O programa conta com diferentes recursos para ampliar a relação e a conversa entre a escola e as famílias, como vídeos, artigos e encontros periódicos entre mães, pais e educadores sobre temas como relações, sentimentos, desafios da criação, bullying, dentre outros.

“Iniciativas como o LIV dão suporte para esse processo de transformação que a escola precisa atravessar, porque do mesmo jeito que os pais não sabem lidar com essa criança que hoje tem espaço de fala e se coloca, os professores também não. Há uma mudança no papel do professor muito grande, assim como os pais ele deixou de ser o detentor do conhecimento[…]. Hoje, com dois cliques, a criança pode saber mais do que um professor ou seus pais sobre determinado assunto”, reflete a especialista.

Para saber mais sobre o programa LIV em Família, clique aqui.

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